• Dançando sozinho



    Olha, pra ser bem sincero já tem algum tempo que eu queria acreditar que você não servia pra mim, mas eu simplesmente não conseguia entender isso de jeito nenhum, só que mesmo assim eu fui me envolvendo e me deixando levar, sabe? Eu fui seduzido pelo teu jeito desengonçado, pelo teu beijo que me excitava e pelo teu toque que me deixava arrepiado desde a nuca até o pé. Mas comecei a perceber que tudo isso era tão pouco perto do que eu estava disposto a te dar.

    Eu mergulhei em você mesmo sem saber nadar, quis sentir os seus perigos mesmo com todos me dizendo que se eu me afogasse não teria ninguém pra me salvar. E eu sei que isso é estupidez, mas eu precisava ver com os meus próprios olhos, e por isso me deixei levar por algo que eu acreditava que era alguma coisa, mas no fim, tudo não passava de uma confusão  que eu mesmo criei e que acabou se tornando uma dependência, afinal, mergulhar em você foi a forma que eu encontrei pra tentar entender tudo o que eu realmente sentia.

    Por mais que eu tenha tentado evitar, essas coisas a gente não planeja e muito menos escolhemos por quem vamos nos apaixonar. Mas, se tem uma coisa que você conseguiu me ensinar com isso tudo, é que a gente pode escolher sim entre permanecer em algo inútil ou cair fora. E eu, infelizmente, estou optando por ir embora, já que hoje eu entendo que você nunca foi o suficiente pra mim como eu achava que era ou que poderia ser e isso é péssimo.

    Mas pra deixar bem claro, me envolver e chegar aonde eu cheguei nunca foi um problema, o que complicou mesmo foi me envolver com alguém que não tá nem aí. Era como se eu vivesse jogado nos teus braços, querendo um pouco de atenção enquanto implorava por cuidado. Às vezes demora um pouco, mas uma hora a ficha cai e agora eu tenho plena consciência de que mesmo que eu te desse tudo de mim, eu nunca seria o cara que você leva pra casa.

    O meu maior erro foi me contentar com o pouco, já que o mínimo que você fazia se tornava algo imenso pra mim, e aquela migalha de sentimento que você me trazia acabava se tornando algo extremamente grande e importante. Mas tá tudo bem, vou ficar bem e o tempo que virá há de me tornar uma pessoa melhor e ainda mais madura, já que como você várias vezes fez questão de enfatizar, eu só tenho 20 anos. Tá tudo certo, de você eu não tenho raiva nem guardo rancor. Só me guardo agora e tudo que me resta é continuar dançando sozinho.