• Meu dilema



    Sabe, às vezes ele me tira do sério e na maioria das vezes ele me faz achar que estou enlouquecendo, mas acontece que nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar que um dia eu encontraria uma pessoa igual à ele. Aliás, eu felizmente posso dizer que tive o privilégio de conhecê-lo, sem contar a parte de que em um dia ou outro o tive em meus braços e pude provar os seus beijos e os seus sorrisos mais sinceros. A pior parte é que desde o começo eu não queria me apaixonar por ele por que já imaginava o quão difícil seria deixá-lo partir caso isso acontecesse. E eu tinha razão. Ele partiu. Foi difícil. Mas ele voltou.

    Ele me fez ficar acostumado com a devastação de uma tempestade, e durante todos esses meses era como se todos os outros fossem apenas brisas passageiras que me refrescavam rapidamente em dias de calor. Ele voltou com todos os seus raios e trovões, mas dessa vez eu resolvi abrir o meu guarda-chuva para me proteger, por que eu sei que ele talvez não seja bom o suficiente para mim, mas em algum lugar aqui dentro eu gosto de acreditar que ele é, assim eu me poupo de continuar procurando outra tempestade por aí.

    Ele sempre deixou claro que não era de ficar por muito tempo em um lugar, mas comigo, ele parecia estar disposto a trazer a sua bagunça tempestuosa e deixá-la jogada em algum canto aqui dentro de mim. Acho graça mas sei que foi injusto comigo mesmo pensar nisso, afinal, ele já me arrastou pra essa confusão uma vez e dessa vez parece que ele continua sem arrumar o lugar que pretende (isso se pretender) me receber, só que mesmo assim eu entro e não estou nem aí se depois vai ter como sair ou não.

    Ele tem um olhar de quem já contou — não só pra mim como pra todos os outros com quem se relaciona — um milhão de mentiras, mas quando o olhar dele se encontra com o meu eu consigo acreditar nele e sentir uma segurança do mundo fora da tempestade. E eu sei que eu poderia viver sem o olhar, o sorriso e os beijos dele, inclusive, eu nem preciso de nenhuma dessas coisas, mas eu quero tê-las mesmo assim por que, depois de todas as vezes que eu lutei pra fugir dele e tirar ele da minha cabeça, ele continua sendo A pessoa.

    Ele pode até ser aquela corda bamba que ninguém aprende a andar, mas isso é por que lugares muito altos me dão enjoo, por que se não, com certeza já teria alguém fazendo até um desfile nessa corda. Se ele em algum momento achou que eu não pensava mais em nós, ele se enganou por que desde o momento que o conheci eu penso na tempestade que seria a colisão de dois corações que estão destinados a viver juntamente separados. Mas pera lá, se você leu até aqui precisa saber que eu ando seguindo a minha vida ao lado de outras pessoas, respirando diversas brisas, só que eu sempre me sinto atraído ao meu dilema — e meu dilema é ele.