• Um ano sem chuva



    Será que você me sente quando eu penso em você? Bom, há um ano atrás eu acreditaria que sim, pobre coitado. A questão é que meu mundo acabou se acostumando em ser um lugar vazio desde aquele fim de maio do ano passado, era como se tudo fosse uma grande bagunça que eu não fazia nenhuma questão de arrumar. Não naquela época.

    Eu achei que você seria o amor da minha vida, sabe? Um daqueles amores de best-sellers americanos escritos pelo Nicholas Sparks que ganham adaptações cinematográficas de sucesso e pela primeira vez, de certa forma, eu estava certo. Você foi o amor da minha vida, pelo menos da vida que eu vivi no último ano. Mas a reciprocidade passava longe de nós.

    Fiz de tudo para andarmos juntos nessa via de mão dupla, mas cada vez que eu tentava, um choque de realidade fazia o chão desmoronar sob os meus pés, e mesmo assim, o som da sua voz continuou ecoando na minha cabeça durante muito tempo. Eu via o seu rosto em todos os outros rostos que se aproximavam do meu, mas ao tocá-los, eu percebia que tudo aquilo não passava de apenas uma miragem do infinito deserto que eu fiquei.

    Há um ano atrás, a forte luz do sol iluminava o dia e me aquecia do frio na barriga, e diferente de você, esse mesmo sol permanece comigo até hoje. Não dá pra negar que eu sinto sua falta e não sei o que fazer contra isso, mas sei que um dia sem você é como um ano sem chuva, o que tanto fez como tanto faz, eu nem gosto de dias chuvosos mesmo.