• Estou sem tempo pra ser infeliz



    Noite passada eu estava na bad, mas calma, não era aquela bad comum, que todo mundo sente quando está carente ou quando leva um pé na bunda do crush, eu estava na bad por não estar na bad. Confuso, eu sei, mas acontece que eu queria estar na bad só pra conseguir escrever um texto descente aqui no blog mas todas as vezes que eu tentava escrever algo sobre as experiências ruins que já vivi eu simplesmente me distraía e começava a cantar o refrão da música Touch do Little Mix. Foi aí que eu percebi que ando ocupado demais com a felicidade do presente que não me sobra tempo pra me concentrar nas dores do passado.

    Lembro que uma vez um amigo chegou pra mim e falou 'Você é tão confiante e seguro de si, admiro isso em você.' na hora eu não consegui responder nada além de um emoji de coração azul mas hoje eu sei que ele provavelmente devia achar isso por que eu sou feliz e pessoas felizes tendem a passar essa impressão. Ok, não vou ser hipócrita e dizer que sou cem por cento feliz e satisfeito com tudo que vem me acontecendo por que eu sei que ninguém é capaz de realizar essa proeza, mas eu tento. Tento tanto, mas tanto e com vontade que às vezes fica difícil para as pessoas ao meu redor perceberem o quão frágil eu sou. E haja talento para ser assim, hein... Mas eu aposto que qualquer um que quiser de verdade ser assim consegue.

    Sim, eu também já me dediquei à amores fracos que não mereciam o meu tempo, à pessoas que me iludiram da forma mais bizarra possível, à relacionamentos âncoras que não me acrescentavam em nada e ainda me puxavam pra baixo. Já senti o gostinho do fundo do poço e já sujei o meu rosto com umas lágrimas fodidas que saíam dos meus olhos enquanto minha mente vagava sem rumo pelo meu corpo. Por muito tempo depositei a minha capacidade de me livrar dessas bad nas mãos de outras pessoas, mas chegou uma hora que eu resolvi dar um ponto final nessa minha dependência alheia. Quando esperamos demais dos outros acabamos esquecendo que só quem pode dar o que nós precisamos de verdade somos nós mesmos.

    Isso parece clichê, mas quer saber de uma coisa? Talvez seja clichê mesmo, já que clichê é aquela realidade que a gente finge não gostar pra tentar parecer ser um pouco mais durão. Admitir que a nossa maior dependência deve ser a de nós mesmos é complicado, confesso, mas só conseguimos nos proporcionar isso quando saímos da nossa zona de conforto e passamos à viver sem pensar nas consequências. A gente só vive uma vez, e foi desse jeitinho meio torto que eu passei a buscar dentro de mim o que ninguém pode me dar. Meus amigos, meus crushes e qualquer um que cruzar o meu caminho passaram a ser apenas um resultado da pessoa confiante e segura de si que eu me tornei e se alguém me disser isso hoje, com certeza minha resposta será mais do que um emoji do coração azul.

    Sabe, quando a gente finalmente entende que a vida é um jogo difícil mas que cabe a nós tentar ser o player que vai simplificar isso, tudo passa a ser mais objetivo e fica em nossas próprias mãos a responsabilidade de sermos felizes. Nossas expectativas passam a se sustentar ao nosso reflexo e não no dos outros, que na maioria das vezes estão nem aí para o que sentimos. Hoje eu tento cultivar alegria em excesso e ser feliz até em meio a tristeza, porque a vida é muito melhor quando estamos sorrindo. Acredito que assim a gente consegue superar as nossas quedas com mais habilidade e rapidez, mas se eu estiver enganado, elas pelo menos passam a ser mais leves. Na pior das hipóteses, erga seu copo se estiver errado naquilo que consideram certo por que, além da morte, eu só tenho uma certeza na vida: tudo passa!